terça-feira, 6 de setembro de 2011

Vivendo na Era TDA


Vivemos em uma era de constantes estímulos, a portabilidade permite que possamos ser encontrados - e manter contato! - mesmo quando estamos sentados no banheiro e, embora essa facilidade na comunicação ofereça inúmeros pontos positivos, cabe uma preocupação com os efeitos que isso possa ter nas futuras gerações.

Quão focados conseguirão ser se recebem um recado do Twitter a cada instante onde quer que estejam? Como fica a concentração nos afazeres se a todo momento há interrupção do raciocínio seja num toque do celular ou recebimento de e-mail? O que dizer então da constante atração exercida pela internet, com sua infindável fonte de informações?

O único parâmetro que posso oferecer é meu ponto de vista pessoal, o único que considero confiável por ser o único que possuo: sei que aprendi a ler antes da idade escolar, já assinava revistas informativas na adolescência (SuperInteressante e Veja quando estas ainda eram únicas no mercado), possuí por décadas uma coleção de HQs que muitos considerariam imensa (+5000 exemplares), mas depois do advento da internet encontro dificuldades para ler uma simples página de um livro.

-É a vontade de assistir àquela série que baixei completa nos torrents - e que antes eu teria que esperar meses para assistir um episódio por semana na TV;
-O impulso de realizar uma pesquisa rápida para dirimir alguma dúvida corriqueira - que antes eu perguntaria a algum amigo ou levaria horas olhando livros ou artigos em revistas;
-A curiosidade de olhar blogs e redes "sociais" para verificar se há algo de novo, se algum amigo mandou algum recado - onde antes eu esperaria um mês para ler um artigo publicado em revista ou teria que ir pessoalmente na casa do amigo para "jogar conversa fora"...

Recentemente assisti à uma palestra onde foi dito que a geração nascida nos anos 90 é capaz de exercer o chamad "multi-tasking", realizando diversas tarefas simultâneas sem muita perda de conteúdo ainda que não haja necessariamente uma concentração focada em cima de cada uma delas, mas eu confesso que, apesar de acreditar na possibilidade, desacredito de isso acontecer de fato.

Talvez eu já esteja velho demais e incapaz de me adaptar perfeitamente às novidades tecnológicas e tudo que podem oferecer, talvez aqueles com quem me relaciono sejam velhos demais e ainda mais arcaicos que eu, mas o que vejo na verdade são pessoas com dificuldade em terminar uma simples frase, interrompidas pelo constante fluxo de informações e incapazes de retornar ao raciocínio anterior sem antes haver uma longa pausa para lembrar o assunto que estava em pauta.

Eu mesmo, que apesar de felizmente ainda não ter esta dificuldade em formar frases, me vejo incapaz de ler o capítulo de um livro sem interrupções, de assistir a um filme sem nenhuma pausa, de ler um artigo mais longo sem pensar "nemli e nemlerei" logo na metade do texto.
Àqueles que leram este texto completo, sejam honestos: o fizeram sem interrupção nenhuma, sem parar para responder a um SMS ou dar uma espiadinha no Facebook?
Sei apenas que, enquanto escrevia, parei pelo menos duas vezes para verificar meus e-mails... :P