sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Viajar é Preciso!!


Nunca havia parado pra pensar nisso, mas eu sempre viajei desde a mais tenra idade: qd ainda era bebê eu viajava com meu pai e minha mãe desde SP até MT onde, enquanto ainda criança, viajei tb com meu padrasto e minha mãe.
Lá experimentei carne de jacaré e até guardei uma das garras do bicho como lembrança, mas embora não me lembre do gosto da carne e tenha perdido o "presente", ainda me lembro até hj de alguns detalhes da viagem.

Durante minha pré-adolescência viajei quase todos os fins de semana à cidade onde moravam meus tios, uns 120km do local de minha morada no interior de SP.
Tive mts amigos por lá, onde acabei me mudando na adolescência para "estudar fora" aos 14 anos, com minha irmã mais velha aos 16 anos e um de meus primos, que tinha uns 18 anos. Embora tenha me mudado para estudar, o que mais consegui foi fazer festa, além de ter feito amigos que guardo na memória até hj. Foi um dos dois períodos mais felizes de minha vida!

De lá voltei à cidade onde fui criado durante a infância, fiz novos amigos junto com a revitalização de velhas amizades e, como que por milagres da coincidência, viramos uma única e grande turma, amizades que perduram até hj mesmo depois de todos seguirem seus respectivos caminhos.
Foi aqui o segundo período feliz de minha vida que me recordo, em uma turma de amigos unida como se fosse família, com direito a brigas feias e reconciliações emocionantes, e tb festas homéricas todo início e fim de ano.

Então me mudei ao sul do país, onde comecei uma etapa completamente diferente em minha vida: iniciei minha vida profissional que já dura uns 5 anos com todos os seus altos e baixos, felizmente mais do primeiro que do segundo, tive contato um pouco mais intenso com outra cultura, aprendi a não jogar lixo nas ruas e a ser mais paciente e tolerante com as pessoas.
Não foi uma época mt interessante pois, de tímido e anti-social, me tornei isolado e afastado de todos, tendo contato com pessoas apenas profissionalmente. Não por isso meus poucos amigos conheci neste ambiente profissional e, apesar de poucos, considero verdadeiros.

Dali resolvi me enveredar em um de nossos países vizinhos qd meus cachorros, companheiros de quase 10 anos, haviam deixado esta existência. Então me dirigi ao Peru por julgar o mais interessante pela cultura Inca praticamente onipresente.
Fiz amizade com dois britânicos e com eles aprendi que meu inglês é mais que suficiente pra desbravar o mundo assim como tb aprendi a beber mesmo depois de velho.
Lá eu descobri minha atração por trilhas e td que subentenda-se aventura, embora ainda não me sinta atraído por nada extremo e radical como mergulhar com tubarões ou fazer o rali Paris-Dakar. Não, a mim bastam um fim de semana com um pouco de lama durante o dia, um bom chuveiro e cama confortável a noite.

Conheci tb o RJ, ainda que brevemente. Aquela cidade maravilhosa que só é maravilhosa na TV, permeada de favelas e mta sujeira como só uma cidade grande e velha sabe amontoar, tb é uma cidade de belezas naturais que ainda resistem bravamente à invasão da poluição tanto física qt visual. Lá eu conheci em pessoa alguns amigos virtuais, aprendi que o carioca tb é gente, apesar da aversão tipicamente bairrista aos paulistas, algo recíproco, diga-se de passagem...

Então saí do sul em direção ao nordeste, descobrindo na prática o motivo de chamarem o Brasil de um país continental: clima completamente diferente onde o Sol arde na mente, culturas distintas do clichê novelístico que td mundo viu um dia na vida, pessoas verdadeiramente receptivas e solícitas num lugar em que o Sol começa a raiar às 3:00h da matina e some antes das 18:00h.

Com td isso fui percebendo na prática o qt as viagens me faziam bem, não apenas pelo óbvio descanso mental, mas principalmente pelo fato que desde cedo eu sempre tive a mente mais aberta que a imensa maioria das pessoas que conheci.
Nunca achei que o pãozinho de todo dia tinha apenas o nome que eu conhecia no interior de SP, não pensei em momento algum que cortes de carne semelhantes deveriam ser chamados da mesma forma em todos os lugares que passei e jamais afirmei taxativamente que um termo obviamente local deveria ser conhecido por toda a população nacional.
O que quero dizer com essas observações banais é o qt me espanta o número de seres culturalmente ignorantes que há mais próximos do que a gente imagina, se eu resolvesse discorrer sobre todas as vezes onde presenciei pessoas divagando acerca de seus próprios umbigos possivelmente conseguiria escrever um livro, mas ainda não cheguei neste estágio literário.